Depois de acompanhar uma discussão no grupo EmpBR, sobre esta entrevista e ler um ótimo artigo no blog MyDraft, pensei em acrescentar minha opinião à discussão.
O assunto gira em torno da frustração de muitos profissionais de TI em ver que o Linux não está tendo a quantidade de usuários esperada, principalmente pelos defensores do modelo Open Source e um certo guru (ele tem cara de guru) disse que os usuários estão viciados em Windows. Eles não entendem o porque as empresas não adotam imediatamente o Linux, já que ele é gratuito e em muitos aspectos superior ao Windows, como em robustez e segurança. Existem várias respostas para isso, aqui seguem algumas na minha opinião.
Suporte
As empresas que buscam resolver seus problemas operacionais usando a tecnologia da informação (e hoje está cada vez mais difícil encontrar uma empresa que não a use) só adotam uma solução quando alguém garante que elas não terão dores de cabeça com isso, porque do contrário, certamente elas irão gerar atrasos operacionais e aumentar os custos. As empresas não enxergam suas necessidades do ponto de vista de evolução técnica, pois se preocupam mais com o caixa, caso contrário quebram. É por isso que ainda existem mainframes usando COBOL em grandes empresas e Clipper em pequenas. Muitos dos sistemas são antigos e todos os seus erros foram resolvidos durante o seu longo tempo de uso. São confiáveis, enfim, e mudar seria caro. Para que mudar? Não tenham dúvidas de que caso a Microsoft ainda prestasse suporte ao Windows 3.11 muitas empresas ainda o estariam usando. E o Linux deixa de ser gratuito no momento em que é necessário contratar uma empresa para o suporte do produto. Além de ter a desvantagem de existirem várias distribuições e várias empresas diferentes dando suporte (ou não) a elas. Já a Microsoft está aí a décadas, sólida como uma montanha.
Resistência às mudanças
Empresas tem a tendência a não mudar, porque mudar significa gastar mais em novidades (máquinas e software), em treinamento, em pessoal que não se adapta às novas regras e o tempo que tudo isso vai levar, uma vez que atrapalha a produção normal. As empresas só mudam quando avaliam que seu estado atual não é benéfico para o negócio ou quando mudar significa menos custos ou maiores lucros. Como o Linux tem uma curva de aprendizado maior que o Windows, sem que apresente uma melhora significativa do ponto de vista do usuário ou do negócio, assim aparenta ser mais um problema do que uma nova solução. E não será adotado caso exista uma opção de menor impacto (no caso o Windows). Por exemplo uma empresa que dependa muito de maior segurança nos seus processos e aonde as ferramentas para Windows não consigam resolver a situação, poderiam ser forçadas a adotar o Linux.
Falta de pessoal treinado
Pelo que já falei no parágrafo anterior, as empresas evitam mudanças. E as mudanças que dão maiores dores de cabeças são as relativas ao pessoal. E neste assunto as empresas também são pragmáticas: preferem contratar pessoal já treinado do que treinar o pessoal antigo. O pessoal antigo vai fazer pressão para não mudar, além do próprio custo do processo. O pessoal novo, já treinado, virá feliz em poder usar os seus conhecimentos. O que é mais fácil de encontrar: um profissional (e não estou falando de técnicos em TI e sim usuário final) que conheça Windows ou um que conheça Linux?
A excelência da Microsoft
É su sei, muita gente vai estar reclamando de que isto é uma quimera. Em que a Microsoft tem excelência além de conseguir ganhar rios de dinheiro trapaceando, destruindo ou engolindo os concorrentes? Deixando de lado o predador que é a empresa de Bill Gates, não dá para negar um fato óbvio, mas que passa desapercebido pela galera Open Source (acredito que em alguns casos por pura má vontade): a Microsoft conquistou o usuário com a facilidade de uso. conseguiu fazer com que microcomputadores se tornassem viáveis nas mesas dos escritórios, aonde antes estavam terminais burros e apostou no usuário doméstico quando ninguém ligava. O primeiro Windows fez com que qualquer um pudesse trabalhar de modo fácil e intuitivo. Com o Win95 popularizou o uso da Internet (mesmo forçando a barra com o Explorer). E estes sucessos não foram por acaso. A Microsoft batalhou para que isto fosse possível, seguindo o seu modus operandi sim, mas com permanente feedback dos usuários, o que permitiu um constante aprimoramento da interface. Quem já criou um form para o Windows sabe como é redundante criar uma função e embuti-la em uma série de eventos apenas para tornar a vida do usuário mais simples (botão na tela, menu de contexto, menu de janela, tecla CTRL XPTO, etc.. Tudo fazendo a mesma coisa). E a reboque (e também como estratégia de mercado) propiciou a evolução dos processadores, já que o carro-chefe da empresa precisa de um incremento de hardware a cada nova versão (é, mesmo o bonitinho dá trabalho). Se o Linux tivesse sido criado durante a época do DOS, poderia ter substituído este (e provavelmente a Microsoft tomaria o lugar da Red Hat, criando uma versão própria), mas como é um sistema que não depende tanto de hardware quanto o Windows, talvez ainda estivéssemos usando um 486 e apenas no trabalho.
Finalmente, não acho justo dizerem que os usuários estão viciados em Windows. É que o usuário quer o mais fácil sempre e o Linux ainda não conseguiu chegar no mesmo nível de facilidade do Windows, simples assim.


















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