Empresas de TI buscam o frio

icehouse.jpgAs empresas de processamento de dados ou mesmo o setor de TI de uma grande empresa, usam um ou mais servidores que nada mais são do que computadores maiores e mais parrudos, que tem vários processadores e discos rígidos e que claro, esquentam muito mais. Por isso, precisam de um lugar próprio e bem refrigerado (frio mesmo, com o pessoal tendo que usar casaco às vezes), o chamado CPD (centro de processamento de dados). Recentemente, grandes empresas de TI como a IBM, passaram a prestar serviços de processamento remoto de dados e manutenção de servidores, substituindo o CPD por suas próprias instalações e barateando assim os custos para os clientes. Com esta concentração, os gastos com refrigeração comecaram a se revelar preocupantes e empresas globais como Verizon, Yahoo, Google, Microsoft, que vivem esclusivamente de TI, começaram a buscar alternativas para diminuir seus próprios custos com as centenas de servidores nos diversos centros de dados que possuem. Para se ter uma idéia, estima-se que em 2006, nos EUA, foram gastos US$ 4,5 bilhões em refrigeração e energia para centros de dados e para cada dólar gasto em equipamento, gasta-se 0,50 centavos para alimentá-lo e resfriá-lo, ou seja, a metade do custo. E para as industrias de prestação de serviços, diminuir custos significa estar à frente dos rivais.

Começou então uma busca global por áreas aonde fosse possível instalar centros de processamento de dados com baixo custo. A Microsoft gastou US$ 2 bilhões em quatro novos centros de dados em Chicago, Dublin, San Antonio e Quincy, no estado de Washigton e agora busca novos lugares como a Islândia e a Sibéria.

Para encontrar um lugar qualificável para um novo centro, a Microsoft utiliza um questionário com 35 quesitos e está formando um mapa mundial de calor, com as áreas com os melhores e mais baratos recursos. Por exemplo, uma área de rocha vulcânica coberta de neve, próxima a uma vila de pescadores, a uns 35 quilometros de Reikjavik, na gélida Islândia, aparece como solução, já que tem energia geotérmica barata e o clima naturalmente frio, o que representa uma economia enorme na refrigeração. Ou a quente Arábia Saudita que tem o menor custo de energia elétrica. E uma vez que o custo se torna item estatégico, as soluções tendem a ser confidenciais. Nos EUA, o Google, a uns cinco anos atrás, quando instalou um centro de dados ao longo do rio Columbia, comprou o terreno por intermédio de um terceiro e firmou um acordo de confidencialidade com a prefeitura. Na Carolina do Norte, que lhe ofereceu um pacote de medidas para baratear os custos da construção de um outro centro de dados naquele estado, tratou o plano de consumo de energia como segredo comercial.

Por outro lado, inovações em tecnologia também ampliam as possibilidades para diminuir os gastos. Sistemas automáticos desligam servidores e outros equipamentos quando estes estiverem fora de uso. A tecnologia multi core (chips com mais de um processador na mesma placa de silício), também serve a este propósito, porque permite um maior poder de processamento sem aumentar o calor e o gasto de energia (na verdade consome 30% menos). Pelo lado do software, existem programas que permitem distribuir as tarefas entres servidores ociosos (ociosidade que às vezes chega a 90% do tempo), como também as soluções de  virtualização que permitem que vários sistemas operacionais rodem em um mesmo servidor, melhorando o seu aproveitamento e diminuindo a necessidade de compra de novos equipamentos.

Como resultado da concorrência por eficiência, a Microsoft acredita que seus 20 CPDs são de 30% a 50% mais eficientes do que a média do setor. E estima-se que Um CPD mais eficiente economize cerca 25% de energia.


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