Linux: perspectivas para 2008

Linus Torvalds não é muito de falar com a imprensa (o curioso é que ele veio de uma família de jornalistas, como conta no seu livro “Just for Fun”), mas deu uma entrevista esta semana ao IT News. Perguntado sobre quais seriam os grandes focos do desenvolvimento em Linux no ano que vem, ele respondeu que boa parte dos esforços está concentrada em dar cada vez mais suporte a diferentes tipos de hardware, e não apenas cuidar dos drivers e de mudanças na plataforma do pingüim. Torvalds também sinalizou que há mudanças na parte do desenvolvimento do kernel que trata de gráficos e suporte a redes sem fio, que até agora consistiam, a seu ver, em pontos fracos do sistema de código-fonte aberto. Ele comentou que acredita no velho adágio de que o sucesso é 99% de transpiração e 1% de inspiração — e que, por isso mesmo, de um monte de pequeninas mudanças pode surgir uma grande diferença, no fim das contas.

 

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 Indagado se o kernel Linux, com suas mudanças infindáveis, anda mais rápido (ou não) que o Windows Server, Torvalds disse que crê nisso, apesar de não usar — é claro — nada da Microsoft (“não porque odeio seus produtos, mas porque eles não são interessantes para mim”). O criador do Linux acha que, pela própria natureza do mundo open-source, seu desenvolvimento é mais orgânico e interessante do que qualquer solução proprietária bolada atrás de portas fechadas.

Para ele, o que vale mesmo no Linux é sua flexibilidade e capacidade de adaptação a diversas áreas. Torvalds citou no papo o exemplo da virtualização, em que o Linux é muito usado justamente por ser capaz de se prestar a múltiplos usos e soluções, não a apenas um modelo fixo. “Esta flexibilidade é justamente a força do Linux. Quando você compra um sistema operacional da Microsoft, você não apenas não pode consertá-lo, e além disso ele passou anos a serviço da visão de mercado de uma única entidade. Não importa quão competente seja a Microsoft — ou qualquer outra empresa —, um produto assim refletirá tal fato. Em contraste, veja onde o Linux é usado. Em tudo, desde celulares e outros pequenos computadores com sistemas embutidos (que muita gente não identifica como computadores) até as máquinas mais gigantescas da lista Top 500 de supercomputadores. Isso é flexibilidade, e advém diretamente do fato de qualquer um que esteja interessado pode participar no desenvolvimento. E não há entidade única que controle para onde esse desenvolvimento se dirige.”

O que falta, mesmo, é o Linux se dirigir com mais firmeza ao desktop. Prévia de pesquisa feita pela Linux Foundation entrevistou 20 mil usuários do sistema do Tux — 51% na Europa e 35% nos Estados Unidos — descobriu que 68% dos Linux usados em computadores de mesa estão em pequenas empresas e escritórios caseiros. Nas empresas que adotam nos desktops, pelo menos 39% por cento o usam em mais da metade de seus computadores. Por outro lado, houve uma mudança significativa em quem utiliza o Linux — não apenas programadores e engenheiros. Sessenta e quatro por cento dos entrevistados trabalham com ele simplesmente como um sistema-cliente, não o usando para fins de desenvolvimento de projetos. Por outro lado, naturalmente, mais da metade das empresas ouvidas se vale do Linux para seus programadores.

E quais seriam as distribuições Linux favoritas dessa turma para o uso pessoal? Em primeiro lugar, com 55% dos votos, vem o Ubuntu; depois, o mais comunitário Debian, com 22%. Em terceiro e quarto, os Linux comercialmente suportados por Novell e Red Hat — respectivamente, OpenSuse (19%) e Fedora Core (16%). E, em seguida, Gentoo (10%), Knoppix (7%) e PCLinuxOS (5%). No trabalho, a ordem de preferência é a seguinte: Ubuntu (54%), Red Hat (50%) e Suse (35%).

Quanto aos programas, os usuários de Linux disseram à fundação que preferiam usar programas nativos do próprio sistema do que softwares adaptados de outras plataformas. Os três programas para os quais eles mais desejam ter equivalentes no sistema open-source são, pela ordem, Photoshop, AutoCAD e Dreamweaver. Quando não conseguem aplicativos equivalentes próprios, os usuários de Linux optam por uma das três seguintes alternativas: 1) usar o ambiente de emulação WINE para rodar o programa no Linux; 2) recorrer à virtualização; ou 3) passar a usar softwares em clima “live”, dentro da internet.

Por fim, o Linux foi tema de duas outras pesquisas. Uma, da empresa Kace, de gerenciamento de sistemas, entrevistou cerca de 900 profissionais de TI nos EUA este mês sobre uma possível migração para o Windows Vista. Noventa por cento deles se preocupam com a migração, enquanto profissionais de 44% das empresas pensam numa alternativa ao Vista — Mac OS (28%) ou Red Hat Linux (23%). A outra pesquisa, da Forrester Research, também mostrou que o Linux é tido como uma alternativa ao Windows Vista, haja vista a lentidão com que as empresas pensam na migração para o novo sistema da Microsoft. Embora reconhecendo que o Vista aparecerá em pelo menos um quarto dos desktops em empresas americanas e européias, sucedendo o XP, conta a e-Week, a pesquisa diz que as consultas sobre o Linux no desktop não diminuem e sinalizam que o sistema do pingüim não vai embora tão cedo e deverá crescer no próximo ano.


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