Second Life versão brasileira
Chega ao Brasil o site que virou febre nos EUA – nele, você cria uma vida paralela e pode ganhar dinheiro com ela.
Por João Prado - Revista Isto É Dinheiro
Em 2003, Philip Rosedale, um físico americano, fundou a Linden Labs para realizar um sonho de muitos mortais: criar um mundo virtual, onde o limite é a imaginação. No Second Life, como foi batizado o site, o internauta pode inventar um personagem, vesti-lo da maneira como quiser, empregá-lo onde bem entender e se dedicar aos hobbies e hábitos que lhe vier à cabeça. Mais: a infra-estrutura oferecida permite a montagem de um cenário fantástico, com florestas exuberantes, gente com cabeça de animal, roupas exóticas e até seres com foguetes nas costas. Mas a principal diversão dos “residentes”,
como são chamadas as pessoas que participam da brincadeira, é fazer negócios. Para isso, existe até mesmo uma moeda local, o linden. Não demorou muito e esse universo em forma de game virou febre na vida real. Desde a sua fundação, mais de 12 milhões de internautas criaram uma vida paralela no ambiente imaginado por Rosedale. O número total de residentes ativos atualmente bate na casa dos 2,5 milhões. A cada dia, essa população movimenta o equivalente a US$ 600 mil.
É esse fenômeno que se prepara para desembarcar no Brasil, pelas mãos da Kaizen Corp em parceria com o portal IG. Juntos, investiram R$ 6 milhões para colocar no ar a versão nacional do Second Life, a partir de 27 de janeiro. Nela, os cenários serão tipicamente locais, como o Pão de Açúcar e o Parque do Ibirapuera, com o conteúdo totalmente traduzido para o português. “O maior diferencial é que o residente vai estar em um cenário brasileiro e com todas as funções em nosso idioma. Além disso, as operações
financeiras serão feitas em uma moeda virtual lastreada no real e não no dólar, como ocorre no modelo americano”, conta Jorge Cílio, gerente de marketing da Kaizen Corp. Por aqui, já existe uma boa base de clientes. A comunidade verde-amarela está entre as que mais acessam o Second Life americano, com cerca de 80 mil pessoas cadastradas. Há duas categorias de usuários. Um deles é o visitante, cujo acesso é gratuito, mas apenas para
“passear” pelo site. O outro é o residente, que, mediante uma taxa mensal, cria sua vida paralela. No Brasil, o valor da mensalidade ainda não está definido, mas nos Estados Unidos, o internauta desembolsa US$ 9,95. A partir daí, o residente paga, com a moeda local, por qualquer serviço, atividade ou produto que necessite. A moeda virtual pode ser adquirida com dinheiro real. Atualmente, 270 linden valem o equivalente a US$ 1.
Há um forte estímulo para a adesão ao portal. Além de ser uma oportunidade de dar asas à imaginação, o Second Life pode se tornar uma fonte de receita para os residentes. Caso eles criem um negócio de sucesso (ou seja, que gere muito tráfego no site), eles são premiados. A primeira fortuna já foi adquirida: a chinesa Anshe Chung, fundou uma imobiliária para a venda de terrenos virtuais e, graças a ela, embolsou nada menos que US$ 250 mil dólares de verdade. “É um mundo muito rentável. Lá você pode encontrar
pessoas, realizar negócios ou simplesmente visitar os amigos. Esse é o futuro da internet”, conta Alexandre Barreto, gerente da área de games do Portal IG. No final de novembro, nos EUA, o portal registrava a existência de quase 14 mil negócios rentáveis.
As empresas do mundo real também já aprenderam a faturar com o sucesso do Second Life. A agência Reuters criou o primeiro serviço de informações, com cobertura do dia-a-dia desse universo – um de seus repórteres descobriu a existência de prostituição virtual por lá. A IBM realizou um treinamento num ambiente construído especialmente para esse fim. Adidas e Reebok colocaram campanhas publicitárias no portal. No final do ano, a Philips deu uma festa de reveillon na Ilha Brasil, um dos espaços do Second Life americano. “Essa iniciativa permitiu que nossa marca fosse identificada com a imagem de
inovação”, diz Tales Rocha, gerente de internet da Philips para a América Latina. No Brasil, o primeiro investimento no Second Life já está acertado. A MTV já adquiriu o direito de possuir uma ilha na versão brasileira. O valor pago foi superior a R$ 1 milhão, segundo representantes da emissora. “Vamos promover shows, festas e programas exclusivamente dentro do portal”, conta José Wilson, coordenador de marketing da MTV Brasil.
O começo parece promissor, mas os executivos da Kaizen e do iG enfrentarão alguns obstáculos. “O impacto de um programa como esse é mínimo no Brasil”, afirma Sílvio Meira, professor da Universidade Federal de Pernambuco e cientista chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife. “É impossível rodar o Second Life sem banda larga, e há poucas perspectivas de aumento do número de pessoas com acesso a esse serviço.” Segundo o Ibope, existem no Brasil 10,7 milhões de residências com computadores conectados à banda larga. “Esse mercado bateu no teto”, diz Meira. Mas para os usuários brasileiros, o jogo ainda nem começou.
2,5 milhões é o número de residentes dentro do Second Life
US$ 600 mil é quanto se movimenta diariamente no Second Life
270 lindens é a quantia que pode ser comprada com US$ 1
101% foi o crescimento no número de empresas rentáveis no Second Life em
2006
EMPRESAS DE OLHO NO MERCADO DO SECOND LIFE
PHILIPS - Réveillon da empresa no SL contou com mil residentes brasileiros
IBM - Escritório virtual serviu para realizar treinamentos com
funcionários
REUTERS - A agência designou um repórter para a cobertura do universo
paralelo
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Fonte: Revista Isto É Dinheiro
Robespierre B. Gonçalves









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PETER SILVER says:
Gostaria de acessar a versão brasileira do second life
PETER SILVER says:
Quero entrar no site
18 February 2007, 11:55 pm